A Saga Bancária

Gostei de escrever histórias. Então a de hoje é sobre a Laura, que mora comigo em São Paulo. Ela não se importou que eu colocasse o nome dela, então não preciso colocar um L no lugar =p

Há mais ou menos um mês Laura começou a trabalhar em uma loja vendendo produtos de informática. Logo, ela precisava de uma conta bancária para poder receber o seu salário, e por isso foi ao banco abrir uma. E então começa o problema, pois ela não tinha comprovante de residência. Voltando para casa, Laura começa a ligar na Companhia de Gás tentando colocar a conta de casa no seu nome, e, apesar dos protestos e das afirmações de que o nome tinha sido trocado, a conta veio no meu nome. Ela ligou de novo, fez escândalo, brigou e chamou o gerente, e nada de ter o seu problema resolvido.

Enquanto aguardava a chegada da próxima conta, ela recebeu um ultimato no trabalho: ou ela abria uma conta ou seria demitida. Desesperada, procurou no google sobre casos parecidos e isso foi o que ela encontrou:

LEI Nº 7.115, DE 29 DE AGOSTO DE 1983.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu

sanciono a seguinte Lei:

Art. . 1º – A declaração destinada a fazer prova de vida, residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou bons antecedentes, quando firmada pelo próprio interesse ou por procurador bastante, e sob as penas da Lei, presume-se verdadeira.

Parágrafo único – O dispositivo neste artigo não se aplica para fins de prova em processo penal.

Art. . 2º – Se comprovadamente falsa a declaração, sujeitar-se-á o declarante às sanções civis, administrativas e criminais previstas na legislação aplicável.

Art. . 3º – A declaração mencionará expressamente a responsabilidade do declarante.

Art. . 4º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. . 5º – Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, em 29 de agosto de 1983; 162º da Independência e 95º da República.

Ou seja, ninguém precisa de um comprovante de residência para nada no Brasil, desde 29 de agosto de 1983, pois, de acordo com essa lei, uma carta assinada por você é o suficiente para comprovar o seu endereço. Laura, munida de sua nova descoberta, foi ao banco toda sorridente, depois de ter ligado para a polícia perguntando quem deveria ser acionado caso o banco se recusasse a abrir sua conta. A resposta foi: “Nós. Mandaremos uma viatura.”

O pobre gerente ficou sem saída. Não conseguiu deixar o comprovante como pendência, nem convencer Laura da importância do mesmo e nem chamar seu superior resolveu. O discurso dela foi mais ou menos assim: “Ou vocês abrem a minha conta agora ou eu ligo para a polícia e chamo uma viatura aqui. Ou ainda, posso processar o banco, vou ganhar, e vocês vão ter que abrir minha conta E pagar uma indenização! Não quero saber de normas do banco, eu estou do lado da lei.”

E assim Laura abriu sua conta, recebeu seu salário e não foi demitida! E eu achei importante divulgar essa história para todos saberem que ninguém é obrigado a entregar um comprovante de residência, por isso, fiquem espertos!

Anúncios
Esta entrada foi publicada em aleatório com as etiquetas . ligação permanente.

Uma resposta a A Saga Bancária

  1. Laura diz:

    É verdade… Foi muito complicado! Mas é sempre bom pesquisar, saber dos nossos direitos. Agradeço a minha amiga por ter feito este post ;)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s